Pensar a educação atenta às políticas reparatórias: Estratégias, tensões e negociações no trabalho com o passado colonial
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Resumen
Este artigo propõe uma reflexão sobre as possibilidades de alinhar a educação em instituições artísticas e culturais com políticas de reparação histórica. A partir de um estudo de caso do Programa de Incursão à Galeria - PING!, da Galeria Municipal do Porto, o artigo analisa estratégias educativas mobilizadas pelo programa no trabalho com os arquivos e memórias da Primeira Exposição Colonial Portuguesa (1934). Com base numa metodologia situada e implicada, recorre-se à análise episódica de situações acompanhadas durante três anos de trabalho de campo com o programa educativo. A investigação identifica um conjunto de aprendizados, deslocamentos e estratégias que podem contribuir para um fazer ético em arte-educação, nomeadamente: deslocar o protagonismo branco, trabalhar pedagogicamente o desconforto da branquitude e tensionar o arquivo colonial. Assim, o artigo inscreve-se no esforço de contribuir para a construção de práticas reparadoras na educação não formal, em diálogo com os Estudos Pós/Decoloniais, os Estudos Críticos da Branquitude e a pedagogia da transgressão. Desse modo, a análise episódica assume um posicionamento implicado, reconhecendo os atravessamentos da branquitude na produção de saberes, e pensa a mediação e educação como lugar de transgressão e de reinvenção das relações com a história colonial.
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