Configurações de conhecimento e política na regulação da educação sexual em meio escolar
##plugins.themes.bootstrap3.article.main##
Resumo
Nos últimos 25 anos, a intervenção das autoridades públicas em matéria de educação sexual em meio escolar tem-se materializado, para além da produção legislativa, na criação de programas, redes, grupos de trabalho e textos vocacionados para coordenar, guiar e apoiar a acção junto dos jovens escolares. Este artigo procura descrever e analisar os conhecimentos que sustentam e resultam dessa intervenção política, bem como os mecanismos de regulação que se associam à mobilização e geração desses saberes. Na primeira parte, traça um retrato da variedade de conhecimentos que se reúnem na intervenção da autoridade pública, em momentos de definição de problemas e de preconização de planos de acção. Na segunda parte, dá atenção a três controvérsias que os debates têm recorrentemente acolhido, e que se referem à existência ou não de educação sexual nas escolas, às visões da sexualidade juvenil e modalidades da sua educação, e à hierarquização dos saberes gerados nos sectores da educação e da saúde. Tal como na primeira parte, o artigo apresenta uma análise interpretativa acerca de quais são, de onde provêm, e de como se combinam e ordenam os conhecimentos percebidos pelos actores como relevantes para fabricar a educação sexual em meio escolar.
##plugins.themes.bootstrap3.displayStats.downloads##
##plugins.themes.bootstrap3.article.details##
Secção

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0.
Os/as autores/as mantêm os direitos autorais, sem restrições, e concedem à revista ESC o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA). É permitido copiar, transformar e distribuir e adaptar o material em qualquer suporte ou formato, desde que com o devido reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista, as alterações sejam identificadas e seja aplicada a mesma licença ao material derivado, não podendo ser usado para fins comerciais.
Como Citar
Referências
Barroso, João (2006). A investigação sobre a regulação das políticas públicas de educação em Portugal. In João Barroso (Org.), A regulação das políticas públicas de educação (pp. 9-39). Lisboa: Educa.
Barroso, João (2009). A utilização do conhecimento em política. Educação & Sociedade, 30(109), 987-1007.
Barroso, João (2011). Da política baseada no conhecimento à política baseada em evidências. In Dalila Oliveira & Adriana Duarte (Orgs.), Políticas públicas e educação (pp. 91-116). Belo Horizonte: Fino Traço Editora.
Carvalho, Luís Miguel (2011a). Multiregulação, comparações internacionais e conhecimento pericial. In Dalila Oliveira & Adriana Duarte (Orgs.), Políticas públicas e educação (pp. 183-206). Belo Horizonte: Fino Traço Editora.
Carvalho, Luís Miguel (Coord.) (2011b). O espelho do perito: Inquéritos internacionais, conhecimento e política em educação. V.N.de Gaia: Fundação Manuel Leão.
Charaudeau, Patrick (2006). Discurso político. São Paulo: Editora Contexto.
Delvaux, Bernard (2009). Qual é o papel do conhecimento na acção pública? Educação & Sociedade, 30(109), 959-985.
Figueiredo, Carla Cibele (2011a). Redes sociais e políticas: Genealogia das políticas públicas de educação sexual. Tese de Doutoramento, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa, Portugal.
Figueiredo, Carla Cibele (2011b). Educação sexual: Análise cognitiva de uma política pública. In João Barroso & Natércio Afonso (Orgs.), As políticas educativas em Portugal: Mobilização de conhecimento e modos de regulação. V. N. de Gaia: Fundação Manuel Leão.
Figueiredo, Carla Cibele, Barroso, João, & Carvalho, Luís Miguel [com a colaboração de Carla Menitra] (2010). Knowledge and public action: Sex education in school, 1984-2009 (Relatório de pesquisa). Lisboa: Instituto de Educação.
Foucault, Michel (1976). Histoire de la sexualité (Vol. 1). Paris: Gallimard.
Gieryn, Thomas F. (1999). Cultural boundaries of science. Chicago: University of Chicago Press.
Jacobson, Bengt (2006). Regulated regulators. In Marie-Laure Djelic & Kerstin Sahlin-Anderson (Eds.), Transnational governance (pp. 205-224). Cambridge: Cambridge University Press.
Kirby, Douglas (2002). The impact of schools and school programs upon adolescent sexual behavior. Journal of Sex Research, 39(1), 23-33.
Lascoumes, Pierre, & Le Galès, Patrick (2007). Sociologie de l’action publique. Paris: Armand Colin.
Lei nº 60/2009. Diário da República, nº 151, I série. Lisboa: Assembleia da República.
Maroy, Christian (2011). Em direcção a uma regulação pós-burocrática dos sistemas de ensino na Europa?. In Dalila Oliveira & Adriana Duarte (Orgs.), Políticas públicas e educação (pp. 19-46). Belo Horizonte: Fino Traço Editora.
Maroy, Christian, & Dupriez, Vincent (2000). La régulation dans les systèmes scolaires. Revue Française de Pédagogie, 130, 73-87.
Matos, Margarida Gaspar (e equipa do Projecto Aventura Social & Saúde) (2003). A saúde dos adolescentes portugueses (quatro anos depois). Lisboa: Edições FMH.
Menitra, Carla (2010a). Análise do debate parlamentar sobre educação sexual em Portugal (2008-2009). In Carla Cibele Figueiredo, João Barroso, Luís Miguel Carvalho et al., Knowledge and public action: Sex education in school, 1984-2009 (Relatório de pesquisa). Lisboa: Instituto de Educação.
Menitra, Carla (2010b). Análise da audição parlamentar sobre educação sexual. In Carla Cibele Figueiredo, João Barroso, Luís Miguel Carvalho et al., Knowledge and public action: Sex education in school, 1984-2009 (Relatório de Pesquisa). Lisboa: Instituto de Educação, UL.
Ministério da Educação, Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (ME-DGDIC) (2005). Educação sexual em meio escolar: Tratamento estatístico dos dados do inquérito aplicado em 2003. Lisboa: DGDIC.
Ministério da Educação, Grupo de Trabalho de Educação Sexual (ME-GTES) (2005). Relatório preliminar. Lisboa: DGDIC.
Ministério da Educação, Grupo de Trabalho de Educação Sexual (ME-GTES) (2007a). Relatório de progresso. Lisboa: DGDIC.
Ministério da Educação, Grupo de Trabalho de Educação Sexual (ME-GTES) (2007b). Relatório da subcomissão para avaliação dos manuais. Lisboa: DGDIC.
Ministério da Educação, Grupo de Trabalho de Educação Sexual (ME-GTES) (2007c). Relatório final. Lisboa: DGDIC.
Ministério da Educação, Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde (ME-RNEPS) (2001). A rede nacional de escolas promotoras de saúde. Mem Martins: ME.
Ministério da Educação (ME), & Ministério da Saúde (MS) (2000). Educação sexual em meio escolar: Linhas orientadoras. Lisboa: ME/MS.
Nóvoa, António, & Yariv-Mashal, Tali (2003). Vers un comparatisme critique. Lisboa: Educa.
Ó, Jorge Ramos do (2009). Variáveis estruturais do discurso psicopedagógico moderno. In Jorge Ramos do Ó & Luís Miguel Carvalho, Emergência e circulação do conhecimento psicopedagógico moderno (pp. 37-74). Lisboa: Educa.
Ozga, Jenny (2008). Governing knowledge. European Educational Research Journal, 7(3), 261-272.
Popkewitz, Thomas S. (2000). Preface. In Thomas S. Popkewitz (Ed.), Educational knowledge (pp. vii-x). New York: State University of New York Press.
Schilling, Chris (1999). The body and social theory (4th ed.). London: Sage.
Turner, Bryan S. (1984). The body and society. Oxford: Blackwell.