A arte urbana mais insurgente: O caso da pixação no Brasil

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Alexandre Barbosa Pereira

Resumo

O artigo discute a pixação como a vertente mais marginal da arte urbana brasileira, que cria um espaço de visibilidade e ação política para jovens das periferias urbanas das grandes cidades brasileiras. A pixação é uma forma de intervenção visual muito presente na cidade de São Paulo, que se caracteriza por traços retos e pontiagudos. O artigo tem como base uma pesquisa de campo de longa duração realizada na cidade de São Paulo. Apresentam-se, assim, dois momentos da pixação. Primeiro, a competição entre grupos de jovens, estigmatizada como vandalismo, e, nos últimos tempos, como uma prática que tem encontrado maior espaço na arena pública e, em especial, no campo das artes. Esse espaço, no entanto, é também muitas vezes tensionado e subvertido pelos/as pixadores/as. O objetivo principal, portanto, é descrever como os/as pixadores/as encontram nessa prática marginal, estigmatizada e criminalizada um dispositivo de reconhecimento, em arenas públicas que valorizam o seu capital marginal. A pesquisa demonstra que a prática da pixação tem se desdobrado em outras atividades artísticas e políticas que permitem a muitos/as desses/as jovens construírem novas trajetórias para as suas vidas.

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ARTIGOS | Submissão livre

Biografia do Autor

Alexandre Barbosa Pereira, Universidade Federal de São Paulo

Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo

Como Citar

Pereira, A. B. (2026). A arte urbana mais insurgente: O caso da pixação no Brasil. Educação, Sociedade & Culturas, 73. https://doi.org/10.24840/esc.vi73.2053

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