Bourdieu, crítico de Foucault
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Resumo
Durante o tempo em que ambos leccionaram no Collêge de France, Michel Foucault e Pierre Bourdieu encontravam-se regularmente visto que eram amigos e, para além disso, partilhavam alguns interesses tanto acerca dos problemas do campo em que trabalhavam como sobre questões de intervenção política. No entanto, Foucault e Bourdieu eram completamente diferentes em termos de background, da posição que ocupavam no campo, do estilo de vida intelectual, do posicionamento epistemológico, etc., Foucault nunca escreveu acerca do trabalho de Bourdieu, ao passo que este último veio gradualmente a produzir comentários acerca da obra do primeiro. Este artigo constitui uma tentativa de compreensão desta relação assimétrica e de especificação pormenorizada das questões em Jogo na crítica efectuada por Bourdieu através de uma leitura atenta dos seus textos. A sua crítica consiste essencialmente numa análise da atitude pouco clara de Foucault e de outros filósofos da sua geração, que pretendiam intervir no campo das ciências sociais a partir de uma posição filosófica pura, não contaminada Para Bourdieu, estes aspectos pouco claros na atitude de Foucault relativamente às questões do poder e do saber contribuíram para a emergência da actual moda da análise de discurso socio-construcionista e idealista, que no seu entender pretende substituir a sociologia pela análise do discurso, procedendo como se os fenómenos sociais fossem a mesma coisa que os discursos acerca desses fenómenos; de acordo com Bourdieu, seria mais útil que essa moda contribuísse para urna sociologia do conhecimento que procurasse transcender a antinomia entre uma história das ideias internalista e uma história das ideias exteriorista. Neste artigo, defendo que Bourdieu está correcto quando afirma que a sua teoria da prática e da prática científica, bem corno a sua teoria da relação entre o espaço social, o habitus e campos relativamente autónomos, entre eles o próprio campo científico, constituem uma solução mais adequada para o problema. Muito embora os textos de Foucault não contenham os exageros que alguns dos seus intérpretes indicam, incluem um enviesamento que acabou por favorecer a actual moda construcionista.
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