Educação artística no Estado Novo: uma biopolítica do cinema e do seu espectador pela Juventude Escolar Católica
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Resumo
O artigo debruça-se sobre a construção de uma investigação historiográfica acerca das propostas da Juventude Escolar Católica durante o Estado Novo, muito concretamente entre 1937 e 1939, durante a Campanha de Moralização do Cinema lançada nas páginas do seu órgão de imprensa. Nas páginas da Flama (1937-1976), dirigida pela Juventude Escolar Católica, verifica-se como é acionado o mecanismo que, desde a encíclica Vigilantis Cura, enunciada pelo Papa Pio XI em 1936, se vinha reclamando nos setores do ativismo católico. Os nomes de Jacinto do Prado Coelho, Luís de Macedo ou Paiva Boléo misturam-se entre os inúmeros hoje ilustres desconhecidos e anónimos que colaboraram ativamente nesta campanha que procurava fazer do jovem católico alguém profundamente autoeducado, a ponto de saber ver na programação em vigor a diferença entre o bom e o mau cinema, com consciência das questões éticas e estéticas. Este espectador parece-nos entrar em colisão direta com o espectador passivo almejado pelas instâncias de poder. Deste modo, este pequeno ensaio exploratório, que parte de um plano empírico, aponta para uma investigação que carece agora de um aprofundamento conceptual e de um apoio nas grelhas teóricas que permitam compreender melhor em que medida a Educação Artística se vai integrar, e muito concretamente, a educação informal que se propugnava durante o Estado Novo através do cinema.