Mapear o Verde reinterpretando o plano diretor Municipal de Braga

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SOFIA PERRY

Resumo

Na arquitetura, o desenho, mais do que um meio de expressão, é sobretudo um meio para pensar e representar o espaço – um pretexto para parar, observar e absorver as características dos locais que habitamos. No têxtil, a Impressão Botânica1 é uma técnica de tingimento natural em que são utilizadas plantas para criar impressões permanentes nos tecidos podendo, desta forma, ser encarada como uma forma de desenhar com as plantas. Gilles Deleuze e Félix Guattari distinguem o ato de mapear, do de traçar, defendendo que o primeiro “é inteiramente orientado para uma experimentação em contacto com o real” (Deleuze & Guattari, 2005, p. 12). No “Plano Diretor Municipal de Braga” (um traçado, não um mapa) os espaços verdes são representados através do uso de diferentes tramas. Em Mapear o Verde [Figura 1,2], reinterpreto estes espaços, mapeando-os de forma a representarem a minha experiência e perceção dos espaços. Para o fazer, realizei visitas a cada um dos espaços selecionados2, nas quais recolhi amostras das plantas que considerei mais caracterizadoras dos mesmos. Após as recolhas, foi tingido para cada um dos espaços um tecido com as plantas encontradas nesse mesmo local [Figura 3,4]. Para distinguir entre as diferentes três categorias de espaços verdes [Figura 5], foram utilizadas três técnicas diferentes de pré-tratar o tecido: para a categoria dos “Espaços Florestais” foi utilizado tecido tratado com Acetato de Alumínio Concentrado e Sulfato de Ferro, para a “Estrutura Verde Principal” foi utilizado um cobertor de Sulfato de Ferro sobre tecido tratado com Tanino e Acetato de Alumínio e por fim, para os “Parques Urbanos” foi utilizado tecido tratado com Sulfato de Ferro. Estes tecidos tingidos foram, de seguida, trabalhados e reinterpretados utilizando a costura e uma técnica de appliqué, de maneira a mapear os espaços verdes num painel têxtil. Como forma de complementar o mapa, foi ainda criado um Herbário por cada categoria de espaços verdes analisada [Figura 6, 7, 8]. Em cada Herbário, as plantas foram organizadas de acordo com o local onde foram encontradas, de forma a conseguir realizar uma análise mais objetiva da variedade e predominância de cada planta, em cada espaço verde [Figura 9]. As recolhas foram realizadas no outono de 2024. A realização deste mapeamento noutra altura teria, inevitavelmente, resultados diferentes e, como tal, este poderá ser repetido vezes sem conta, evidenciando as alterações que as estações do ano e o passar do tempo possam causar na paisagem verde urbana. Por ter sido realizado com tecido, poderão, a este mapa, ser acrescentadas sucessivas e potencialmente infinitas camadas de informação (que não somente sobre os espaços verdes), nunca estando, portanto, verdadeiramente terminado. Para Flores y Prats, o desenho é uma ferramenta vital na fase de observação e reconhecimento do projeto (Flores et al., 2024, p. 14). Uma vez que a Impressão Botânica requer plantas, esta técnica (tal como o desenho) exige que o seu praticante deambule, observe, e analise o seu meio envolvente, numa espécie de foraging. Em Mapear o Verde, a Impressão Botânica assume-se como uma prática inerentemente site-specific que pode, à semelhança (e a par) do desenho, ser uma ferramenta para responder à fase de observação e reconhecimento dos espaços verdes. 

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Secção

Projeto

Como Citar

Mapear o Verde: reinterpretando o plano diretor Municipal de Braga. (2026). PSIAX: Estudos E Reflexões Sobre Desenho E Imagem, 1(#8 - 2ª série), 123-130. https://doi.org/10.34626/psiax_2024_vol1_2201