9 cores, 3 geografias

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MARTA LEITE

Resumo

9 cores, 3 geografias consiste num projecto expositivo, apresentado na galeria de exposições temporárias do Museu de Lanifícios da Covilhã. Estabelece uma ligação entre Berlim (Alemanha), Bío-Bío (Chile) e Covilhã (Portugal), através do potencial cromático de plantas que habitam estas três regiões. Concretamente, apresenta o mapeamento da flora destes lugares, juntamente com uma série de experiências pictóricas e de tingimento, realizadas sobre tecido e papel, concebidas com tintas e banhos de cor extraídos de plantas e vegetais. Este método de trabalho, iniciado em Berlim, onde as tintas foram elaboradas a partir de cascas de vegetais, frutos silvestres e ervas daninhas, procura refletir sobre o ciclo “vida - decomposição - composto - nova vida”, seguindo uma lógica de compostagem e colheita sustentável. Desta forma, as cores resultantes das tintas naturais correspondem à flora do local e à estação do ano em que as plantas foram colhidas. Em Berlim os territórios apresentados são zonas urbanas cobertas de plantas espontâneas. Procura-se assim, chamar a atenção para a flora que nos passa despercebida, ou que é caracterizada como indesejável (como ervas daninhas), assim como para excedentes de vegetais, através do aspecto particular da cor, abrindo um espaço para uma nova percepção e potencial da mesma. No caso de Bío-Bío, as plantas remetem para as tradições de tinturaria ancestrais ainda vigentes e em risco derivado às empresas florestais que afetam a flora autóctone. O mapa cromático apresentado com as respectivas plantas assinaladas, corresponde a parte do território Mapuche1. Esta comunidade, que atualmente corresponde à maior população indigena do Chile, luta contra a ocupação das suas terras desde o séc. XIX, entrelaçando-se esta luta constante com a de preservação da própria cultura, assim como do ambiente da região geográfica que habitam. Esta ligação entre preservação cultural e ambiental encontra-se presente na arte têxtil que produzem com fibras e tingimento naturais. Na Covilhã procedeu-se ao mapeamento cromático da Ribeira da Goldra, especificamente a área em torno da Real Fábrica Veiga, aludindo à identidade têxtil da região. É de salientar, que a Ribeira da Goldra, em tempos da indústria têxtil, era ela mesma colorida por corantes químicos, passando do azul ao vermelho, entre outras cores. Com o mapa aqui apresentado, pretende-se chamar a atenção para as plantas que crescem nas margens da ribeira, sendo muitas delas espontâneas e tintureiras, abrindo assim uma nova etapa na significação das cores deste corpo de água. O processo de trabalho em tingimento natural encontra-se aqui alinhado com o projecto de investigação REVIVE (2022.01243.PTDC), “As cores da Real Fábrica de Panos da Covilhã, 1764-1850”. Até à data da exposição, foram testadas 17 plantas, colhidas na margem da Ribeira da Goldra, que posteriormente foram aplicadas em fibras de 100% lã, assim como de lã com viscose, de acordo com receitas de tingimento do séc. XVIII2. Sucintamente, em 9 cores, 3 geografias, procura-se refletir sobre questões de protecção ambiental e sustentabilidade, abrindo ao mesmo tempo uma nova perspectiva sobre a paisagem, vivenciando-a e interpretando-a através da materialidade cromática da flora que nela habita. Este trabalho é parte integrante do projeto de tese e investigação artística em Media Artes, unidade de Investigação em Artes da Universidade da Beira Interior, com orientação do Professor Doutor Francisco Paiva e da Professora Doutora Rita Salvado. Foi realizado com o apoio da Bolsa de Apoio ao Doutoramento da UBI, Caixa Geral de Depósitos e do MUSLAN-UBI, no âmbito da preparação da exposição homónima patente na galeria de exposições temporárias do Museu de Lanifícios da Real Fábrica Veiga, de 4 de Outubro a 4 de Novembro de 2024.

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Secção

Projeto

Como Citar

9 cores, 3 geografias. (2026). PSIAX: Estudos E Reflexões Sobre Desenho E Imagem, 1(#8 - 2ª série), 111-118. https://doi.org/10.34626/psiax_2024_vol1_2199