Aprender de outro modo: Ação docente e práxis decolonial no Brasil
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Resumo
Nas últimas duas décadas, o apelo a uma reforma decolonial na educação intensificou-se, especialmente em contextos do Sul Global marcados por legados coloniais persistentes. Este artigo explora como os/as professores/as brasileiros/as de Língua e Literatura se envolvem em práticas pedagógicas decoloniais que resistem às normas eurocêntricas e promovem a justiça epistémica e o bem-estar dos/as alunos/as. Fundamentado na teoria decolonial e na pedagogia freiriana, o estudo recorre a dados qualitativos provenientes de questionários e entrevistas em profundidade a 11 professores/as do ensino secundário a trabalhar em diversos contextos educativos. A análise destaca cinco estratégias temáticas utilizadas por estes/as educadores/as: reconfiguração do espaço da sala de aula, centralização das vozes negras e indígenas, subversão das normas literárias cronológicas, integração da religiosidade afro-brasileira, incluindo as suas dimensões espiritual e cultural, oralidade e valorização da emoção, da criatividade e do jogo como ferramentas pedagógicas. Estas práticas constituem uma mudança radical em relação aos modelos educativos dominantes, ao privilegiarem a relacionalidade, a corporalidade e a pluralidade epistemológica. Os resultados realçam que a pedagogia decolonial não é um modelo fixo, mas um compromisso ético e político concretizado através de decisões quotidianas na sala de aula. Ao documentar estes atos de insurgência pedagógica, o estudo contribui para os debates internacionais sobre a equidade na educação. Afirma o potencial transformador da ação docente no desmantelamento das estruturas coloniais, na promoção do bem-estar integral dos/as alunos/as e na construção de futuros educativos libertadores.
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