CHAMADA ABERTA: SOPHIA JOURNAL 12 | PAISAGENS DE REPARAÇÃO | LEARNING REPAIR / APRENDER A REPARAR - PEDAGOGIAS SITUADAS, PAISAGENS CÍVICAS E PRÁTICAS VISUAIS
A reparação como prática situada
A Sophia Journal 12 convida a considerar os lugares de reparação como lugares de aprendizagem.
Universidades, oficinas, instituições públicas, organizações de bairro, associações cívicas e iniciativas culturais podem constituir espaços onde diferentes formas de conhecimento se encontram. Através do trabalho de campo, da fotografia, do filme, do desenho, da cartografia, da história oral, da investigação em arquivo e da experimentação coletiva, estes encontros podem gerar abordagens mais atentas à transformação arquitetónica e territorial.
A aprendizagem situada questiona a separação entre observação e intervenção. Reconhece que documentar um lugar é já uma forma de estabelecer uma relação com ele e que as imagens participam na construção do entendimento público, do valor cultural e das possibilidades de ação política.
As práticas visuais podem revelar condições negligenciadas, mas podem também contribuir para processos de escuta, comparação, memória, manutenção e imaginação coletiva. A fotografia e o filme podem registar a transformação gradual dos materiais e das paisagens, examinar a relação entre os espaços projetados e a vida quotidiana e tornar visível o trabalho através do qual edifícios, jardins e infraestruturas continuam a funcionar.
Ao mesmo tempo, as práticas visuais devem ser analisadas criticamente. Quem produz as imagens, a partir de que posição e para que públicos? Como pode a investigação visual evitar transformar a vulnerabilidade, a deterioração ou a desigualdade social em espetáculo estético? De que modo podem formas colaborativas de representação redistribuir a autoria e permitir que as comunidades participem na interpretação dos seus próprios contextos?
A reparação como prática situada
Este número dedica particular atenção às paisagens cívicas: parques, jardins, piscinas, equipamentos desportivos, escolas, conjuntos habitacionais, edifícios culturais, ruas e outras formas de infraestrutura partilhada.
Estes lugares incorporam ideias sociais e políticas sobre a vida pública, o bem-estar, a educação, o lazer e o encontro coletivo. Muitos são também lugares onde estruturas históricas, intervenções modernas, sistemas ecológicos e formas contemporâneas de ocupação coexistem.
A sua reparação não pode limitar-se à preservação da forma arquitetónica. Exige uma atenção renovada à acessibilidade, inclusão, manutenção, uso público, responsabilidade ambiental e cuidado institucional. Exige também compreender de que modo os projetos cívicos herdados podem continuar a responder a necessidades sociais em transformação sem perderem a sua relevância cultural e arquitetónica.
A Sophia Journal 12 questiona de que modo a arquitetura, a paisagem e as práticas visuais podem contribuir para esta negociação contínua entre continuidade e transformação.
Chamada para artigos e ensaios visuais
Convidamos à submissão de artigos teóricos, ensaios visuais, projetos documentais, reflexões pedagógicas e formatos experimentais de investigação que abordem a reparação enquanto processo situado e coletivo de aprendizagem.
As contribuições poderão abordar, entre outras, as seguintes questões e temáticas:
- A reparação enquanto pedagogia da atenção, do cuidado e da responsabilidade;
- Modelos de ensino da arquitetura baseados no trabalho de campo, interdisciplinares e transnacionais;
- A investigação visual enquanto método de aprendizagem situada;
- Paisagens públicas e infraestruturas cívicas enquanto espaços de vida coletiva;
- A adaptação e a relevância social continuada do património arquitetónico moderno;
- Manutenção, salvaguarda e práticas quotidianas de cuidado;
- Relações entre estruturas históricas, intervenções modernas e usos contemporâneos;
- A arquitetura e a paisagem enquanto processos materiais e ecológicos em evolução;
- O papel da fotografia, do filme, da cartografia e dos arquivos nas práticas de reparação;
- Formas participativas e colaborativas de representação visual;
- Questões éticas relacionadas com a observação, a autoria e a representação da vulnerabilidade;
- Experiências pedagógicas que estabeleçam ligações entre universidades, comunidades e instituições públicas;
- Formas de conhecimento intergeracionais e para além do humano;
- A reparação às escalas do detalhe arquitetónico, do edifício, do espaço público, da cidade e do território;
- Condições institucionais que possibilitam ou dificultam práticas de cuidado a longo prazo;
- Práticas especulativas e experimentais que imaginem futuros cívicos alternativos.
São bem-vindas contribuições de arquitetos, artistas, fotógrafos, cineastas, docentes, estudantes, investigadores, profissionais, ativistas, instituições públicas e grupos de investigação transdisciplinares.
As submissões poderão assumir a forma de artigos científicos, ensaios fotográficos ou fílmicos, relatórios críticos de trabalho de campo, entrevistas, conversas, cartografias, textos coletivos, investigação baseada em projetos ou formatos híbridos que articulem materiais escritos e visuais.
Laboratório de Reparação
A Sophia Journal 12 incluirá uma secção especial dedicada a práticas pedagógicas e de investigação situadas, desenvolvidas através de workshops, investigações de campo e formas colaborativas de ensino.
Esta secção propõe pensar o workshop não apenas como um método para aplicar conhecimentos previamente estabelecidos, mas como um laboratório onde o conhecimento é produzido através do encontro, da observação e da interpretação coletiva.
O Programa Intensivo Misto Erasmus+ (Blended Intensive Programme — BIP) The Invisible City: Manplan and Contemporary Forms of Repair constituirá um contexto importante para esta reflexão. Através do seu programa transnacional, dos seus métodos de investigação visual e da investigação situada na Área Metropolitana do Porto, o BIP explorará de que modo a arquitetura, a fotografia, o filme e a cartografia narrativa podem revelar e interagir criticamente com as condições contemporâneas do espaço público, do património e da vida coletiva.
Algumas contribuições selecionadas resultantes do BIP poderão ser desenvolvidas para publicação, em diálogo com trabalhos provenientes de outros contextos pedagógicos e de investigação. A sua inclusão permitirá estabelecer um diálogo entre uma experiência situada específica e debates internacionais mais amplos sobre o ensino, a representação e a prática da reparação.
Em vez de apresentar o workshop como um modelo acabado ou exemplar, a revista acolhe reflexões críticas sobre os seus processos, limites, contradições e possibilidades.
Da visibilidade ao envolvimento
A transição da Sophia Journal 11 para a Sophia Journal 12 marca um movimento da visibilidade para o envolvimento.
Tornar visíveis as fraturas continua a ser essencial. No entanto, a visibilidade, por si só, não constitui reparação. Reparar exige atenção continuada, formas de responsabilidade, compromisso institucional e capacidade para trabalhar coletivamente com condições incertas e, por vezes, conflituais.
Como podem o ensino da arquitetura e o ensino das práticas visuais preparar estudantes e profissionais para este trabalho? De que modo pode o estudo das paisagens cívicas existentes gerar conhecimento capaz de informar a sua transformação futura? Como podem as imagens ir além da evidência e da crítica para se tornarem parte de processos mais longos de cuidado, diálogo e reflexão pública?
A Sophia Journal 12 convida à apresentação de contribuições que entendam a reparação não como a recuperação de uma condição ideal ou original, mas como uma prática aberta e continuada de aprendizagem sobre como habitar, manter e transformar um mundo partilhado.
Instruções para submissão
Para submeter uma proposta de resumo, os autores deverão enviar, até 1 de janeiro de 2027, um texto com cerca de 500 palavras, incluindo referências e um máximo de cinco imagens, acompanhado de uma breve nota biográfica de cada autor, até 70 palavras.
A submissão dos resumos deverá ser realizada através da plataforma OJS da Sophia Journal, mediante registo e submissão.
Os autores selecionados serão notificados até 28 de fevereiro de 2027 e beneficiarão da orientação editorial da Sophia Journal para o desenvolvimento de um artigo completo, entre 3.000 e 6.000 palavras, ou de um ensaio visual, com 6 a 8 páginas e um texto entre 750 e 1.500 palavras, a submeter até 1 de maio de 2027.
Os autores que não tenham submetido um resumo nesta primeira fase poderão ainda submeter diretamente um manuscrito completo até 1 de maio de 2027.
Todos os artigos teóricos serão sujeitos a revisão cega por pares. As restantes modalidades de submissão publicadas pela revista — incluindo ensaios visuais, entrevistas e recensões críticas — serão igualmente sujeitas a revisão por pares.
A aceitação de um resumo, em qualquer uma destas modalidades, não garante a posterior publicação do trabalho.
Sophia Journal International Conference 2027
A Sophia Journal 12 será articulada com a Sophia Journal International Conference 2027, dando continuidade ao ciclo anual de fóruns internacionais dedicados à exploração crítica das interseções entre imagem e arquitetura.
A conferência pretende constituir uma plataforma de encontro entre investigação, práticas visuais, pedagogia e reflexão crítica, permitindo que algumas das questões desenvolvidas neste número sejam discutidas coletivamente antes da publicação.
Os resumos das comunicações selecionadas para apresentação serão publicados num e-book de resumos, juntamente com o programa da conferência, e disponibilizados gratuitamente através da plataforma OJS da Sophia Journal.
A participação na conferência e a publicação na revista constituem processos editoriais relacionados, mas distintos. A apresentação de uma comunicação na conferência não garante a publicação do respetivo artigo ou ensaio visual na Sophia Journal, que continuará sujeito aos procedimentos editoriais e de revisão por pares da revista.
Através das suas conferências internacionais e da publicação científica sujeita a revisão por pares, a Sophia Journal procura reforçar a colaboração internacional e apoiar e disseminar investigação que explore criticamente as relações entre imagem, arquitetura, cidade e território.